Comecei o processo de habilitação no inicio de janeiro, pouco tempo depois de completar 18 anos ( na verdade eu só não comecei o processo no outro dia porque no fim do ano o Detran está de férias). Provavelmente eu não vá andar de carro sempre, uma porque meu pseudo-salário não banca nem as passagens de ônibus, imagine só a gasolina de um carro. Então, depois de fazer a escola téorica em janeiro e a prova téorica somente em junho, comecei as aulas práticas no final de julho e pegava somente uma aula por dia e de vez em quando, as vezes semanas nem tinha aulas.
No final de setembro, dois meses depois de começar a aprender a dirigir, fui fazer o exame prático. Cheguei uns 20 minutos mais cedo do que a hora marcada, fiquei esperando, e como não pude ser a primeira a fazer o exame, quis ser a última. Eu estava bem nervosa enquanto esperava a minha vez (duas horas esperando), falava sem parar e meu instrutor tentou me distrair com as palavras cruzadas dele até a minha vez.
Meu examinador era um senhor negro, barrigudo, com cabelos longos (apesar da aparente calvice na parte da frente da cabeça) e usava um óculos escuros, ele aparentava uma brutalidade e dava vontade de chorar só de ver a cara dele. Era conhecido como "Playboy". Mas apesar de tudo isso, ele era super calmo e passava uma simpatia que não me inspirava confiança. Nem um pouco. A outra examinadora era loira e mal pude reparar nela, parecia querer ir para casa logo e tinha cara de tédio. Mas no fim acabou sendo mais simpática do que o "Playboy".
Durante o exame, estava extremamente calma, parecia drogada e fui fazendo o percurso que os examinadores me falavam. Estava indo bem, fiz uma garagem perfeita e logo depois deixei o carro apagar. Duas vezes. Então fiz uma curva errada e puff. O playboy em menos de 20 minutos comigo descobriu todos os meus defeitos (tá, ele só descobriu que eu era muito teimosa, e eu nem sei como ele consegui descobrir isso, quer dizer, nem é uma característica tão óbvia como ser feia, burra ou surda).
"Bom fim de semana" foi o que o Playboy me disse quando eu saia do carro. Senti toda a tensão do momento nas minhas pernas, que pareciam pesar uma tonelada, andei nem sei como, procurando o meu instrutor e quando achei um outro instrutor da auto-escola, mal conseguia controlar as lágrimas. Não sei porquê, mas já sabia que não tinha passado (tá eu sabia o porquê).
Voltei para casa ouvindo as histórias de quem não tinha passado outras vezes e que tinham certeza que tinham reprovado novamente.
O trauma foi grande ao saber que não tinha passado, me perguntava como a Paris Hilton conseguia e eu não, olhava os carros e me sentia tão incapaz. Fiz 7 pontos, o máximo para ser aprovado é 3 (Pela primeira vez na vida gabaritar os itens de uma prova não é legal).
Então amanhã, três semanas e cinco aulas mais depois, irei fazer a prova prática de novo. Provavelmente porque eu sou muito teimosa, tenho sido assim a minha vida toda, e quase nunca desisto das coisas.
Nota: menos de 45 dias agora. =}









