
Quando somos pequenos sempre queremos ficar adultos logo e fazer as coisas do nosso jeito sem pedir nada para os pais. Queremos ver TV até tarde,sair sem ter que dizer quem é a coleguinha e voltar na hora determinada, e claro, poder namorar também, [ eu vivia prometendo que ia limpar a sujeira do meu cachorro]. Apesar de tudo, adoramos quando nossa mãe vem dar beijinho de boa noite e apagar a luz do nosso quarto ou quando ela cuida da gente quando estamos dodói.;}
Eu particularmente adorava brincar de que era atriz de novela mexicana e de filmes americanos com a minha irmã [nós ficavámos a tarde toda sozinhas em casa]. Assistia sessão da tarde, comendo indevidamente melado de açúcar.
Pausa dramática: quase todos os dias inventávamos algo diferente para se fazer com açúcar, seja misturar leite, café, coca-cola e todas as besteiras que apareciam.Uma vez eu joguei leite no melado e não vi que estava coalhado, mas ficou parecendo caramelo.
Vivíamos aprontando, não arrumávamos a casa e quando dava 17h corríamos para ajeitar a bagunça e parecer que tínhamos arrumado a casa antes de minha mãe chegar. Era quase uma operação de limpeza do FBI.
Mas então, quando nós crescemos,toda essa mágica acaba, ganhamos responsabilidades, obrigações, e temos que apagar a luz do nosso quarto à noite e o pior temos que arrumá-lo também
Passar no vestibular é uma das várias obrigações de um jovem quase adulto, arrumar um emprego e começar a se virar sozinho também. Os pais, dizem que não, fazem pressão para você ser alguém na vida e criar juízo.
Eu não tenho vergonha de assumir que tenho a síndrome de Peter Pan. Eu quero sim ser criança, com preocupações pequenas como fazer peças teatrais de conscientização anti-tabagismo ou arrumar a casa pra não apanhar.